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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Admirável Mundo Novo





Não existem casamentos nem família. As crianças são produzidas e condicionadas para serem os adultos que é necessário que sejam, de forma a que seja garantida a estabilidade social, numa sociedade onde se venera “Nosso Ford” e onde todas as coisas são tão perfeitamente planeadas e estruturadas que fazem parecer o Caos em que vivemos um paraíso livre e libertador.
Trata-se de uma enfadonha utopia que retira ao indivíduo toda e qualquer liberdade de escolha e que, quando algum imprevisto surge, basta um comprimido de “SOMA” para que tudo volte à normal e inconsciente felicidade, metodicamente programada e preparada por outros.
Ali, somos marionetas cujos cordões são puxados pela urgência das convenções inertes da sociedade estável e imóvel das esperanças e dos receios pueris daqueles detêm o controlo das liberdades, das opções e até dos pensamentos de todos os indivíduos.
Contudo, existe sempre a excepção à regra, existe a dissidência física, espiritual e intelectual daqueles que não sucumbem à tirania das maiorias e dos poderes implementados, por desconhecerem o que está longe da sua “reserva de selvagens”, não possuindo a paradoxal bênção da civilização e porque, por isso, mantêm a força e a inocência pura do espírito indomado e indomável.
É uma obra genial de Aldous Huxley, que rompe com as regras estabelecidas e que, numa análise de extrema lucidez e originalidade, faz uma crítica tremenda às aspirações, possivelmente genuínas, mas, ao mesmo tempo, impensadas e inconscientes dos mais progressistas dos líderes.

domingo, 28 de dezembro de 2008

As Ondas de Virginia Woolf



Virginia Woolf

Virginia Woolf (Adeline Virginia Stephen, nome de solteira) nasceu em Londres em 1882 e suicidou-se em Lewes, em 1941. Cresceu num ambiente de intelectuais em Bloomsbury, centro da vida cultural inglesa durante muitos anos. A escrita de Woolf ficou marcada pelo uso da técnica do denominado “fluxo de consciência”, através da qual as personagens revelam os sentimentos mais profundos.

Algumas obras:
- A Viagem (1915)
- Noite e Dia (1919)
- O Quarto de Jacob (1922)
- Mrs. Dalloway (1925)
- Rumo ao Farol (1927)
- Orlando, Uma Biografia (1928)
- As Ondas (1931)
- Entre os Actos (1941)
Distinguiu-se pelos seus estudos sobre a condição feminina, como se pode comprovar em Um Quarto Que Seja Seu (1929) e Os Três Guinéus (1938).

As Ondas





O título é uma metáfora, representa as fases da vida das personagens como se fossem marés, que os aproximam e os afastam. Sensível, solitária, melancólica, misteriosa, desencantada e sem esperança, por fim depressiva Woolf mergulha nos pensamentos mais profundos do ser humano, o que nos leva a ficar suspensos na leitura como se nos ausentássemos do corpo, tal como as personagens.


A história baseia-se na relação de seis pessoas totalmente diferentes, desde a infância à velhice. Com o passar do tempo, elas afastam-se umas das outras, mais tarde reencontram-se devido à morte de uma delas e sentem-se estranhas, porque se apercebem que desperdiçaram momentos que podiam ter vivido juntas.


A narração é feita de modo indirecto, sendo este um aspecto muito conhecido da escrita de Woolf. A obra é construída de diálogos, mas diálogos interiores, são formas de pensar ditas como que em voz alta. À medida que as personagens vão amadurecendo, os seus discursos também amadurecem e é por eles que vamos tendo noção da passagem do tempo. Somos forçados a encarnar as personagens, pois é despertada em nós uma sensibilidade ao ponto de pensarmos o que elas pensam, sentirmos o que elas sentem, o que nos leva a mergulhar no labirinto de ondas que se chama ser humano. O que é para nós o tempo? Qual o sentido da nossa existência? Qual é o significado da vida e da morte? Estas são algumas das questões levantadas pelas personagens, e o que facilmente nos leva a identificar com elas.


Ler As Ondas é como ouvir uma infinidade de sons através de uma única voz, é ver diferentes rostos do ser humano, é permitir que um rasgo poético de consciências atravesse a nossa própria consciência, revelando-nos cruamente que não é surpresa a escuridão que somos. Tudo se concentra no indivíduo, nada mais existe para além do que reside nele… Goste-se ou não se goste, ninguém consegue ficar indiferente a Virgínia Woolf…

sábado, 27 de dezembro de 2008




Ainda que, obviamente, todos os elementos do grupo The Doors sejam de extrema importância, creio que não será exagero dizer que Jim Morrison foi o seu corpo e a sua alma. Esta emblemática e enigmática figura, que adorava a morte libertadora, fazia do excesso um modo de vida, sempre com o intuito de alargar as “portas da percepção” e, assim, perceber o que está para além da banalidade. “You’re all a bunch of slaves!”, gritava Jim indignado com a sociedade agrilhoada ao imperialismo e sufocada pelo capitalismo.
Cantor, compositor, poeta e com formação cinematográfica na UCLA, esta lenda da década de 60/70 transpunha os limites da realidade e trespassava de um alucinante fulgor tudo aquilo em que tocava…
No filme The Doors, de Oliver Stone, embora com algumas imprecisões, podemos ficar com uma boa noção do que foi a vida desta banda e, sobretudo, de Jim Morrison, desde a sua estadia na UCLA até à sua morte, em 1971.
Além disto, importa ainda referir que, neste mês de Dezembro em que se celebra o seu aniversário de nascimento, foi anunciado um novo documentário, intitulado “When You’re Strange”, de Tom DiCillo e que será lançado em Janeiro do próximo ano.




Excerto do filme The Doors, de Oliver Stone